Contudo, ao cavar o solo, algo brilhante começou a emergir da terra. Intrigada, Milena se aproximou e, ao desenterrar o objeto, descobriu um antigo colar adornado com uma pedra preciosa que parecia pulsar com uma luz própria. Ao tocá-la, uma onda de memórias e histórias de vidas passadas invadiu sua mente, revelando que aquele espaço fora um refúgio de amor e resiliência. Pensou que, de alguma forma, aquilo era um chamado, não apenas para ela, mas para todos que dela se aproximassem, como se a vida estivesse lhe entregando um tesouro que ecoava a mensagem eterna: sempre há beleza e renascimento, mesmo após os maiores desastres.
Viver não é apenas um ato de presença, mas uma dança de entregas, onde o verdadeiro desapego se torna a melodia que rege nossos dias. Costumamos pensar na vida como uma coleção de conquistas, metas a serem alcançadas, experiências a serem acumuladas. No entanto, talvez a essência do viver resida menos em agarrar e mais em soltar.
Imagine por um momento que cada momento vivido seja areia nas mãos. Quanto mais forte você apertar, mais rápido ela escorregará pelos seus dedos. O paradoxo do viver é esse: para desfrutar da areia, é preciso deixá-la fluir. Viver plenamente pode, portanto, significar aprender a acolher a transitoriedade, a incerteza e até mesmo a dor como partes essenciais da experiência.
Abandonar não é um ato de desistência, mas um abraço à liberdade. À medida que largamos o apego às expectativas, ao futuro e até mesmo às certezas que construímos, encontramos um espaço fértil para o novo. É nesse terreno de incertezas que as flores mais vibrantes da criatividade, da autenticidade e do amor podem brotar.
Viver é um convite à curiosidade. É se permitir errar, se reinventar e até se desalinhar. Cada escolha pode parecer um desvio no caminho que traçamos, mas, na verdade, é um redirecionamento para um lugar que nunca imaginamos ser nosso. E é isso que faz o viver tão extraordinário: as surpresas que a vida nos oferece quando nos entregamos ao desconhecido.
Portanto, ao invés de se agarrar à ideia de viver conforme um roteiro pré-determinado, desafie-se a dançar fora da linha, a explorar os becos sem saída e a se jogar nos abismos da vulnerabilidade. O viver é uma tapeçaria de momentos, e muitas vezes são os fios mais soltos que criam os padrões mais belos. Aceite a arte de abandonar, e talvez, ao final do dia, você descubra que viver é, na verdade, uma celebração do que ainda não foi.
O ar subiu pelas suas narinas e ganharam seus pulmões. Ele sorriu. Era a satisfação em pessoa. Era um reflexo da vida que lhe sorria naquele átimo de tempo próprio para degustar a vida, o seu tempo, que passava implacavelmente, marcando cada friso em sua testa. Era isso que importava, viver cada respiro sem a preocupação do amanhã. Estar aqui presente e poder sentir o esplendor, que era ter essa percepção, trazia o frescor de existir, e mesmo que a sensação fosse fugaz, a percepção de viver completamente, sem precisar ir a lugar nenhum, por si só lhe bastava; sim, poder sentir o ar puro que soprava sobre ele e sua percepção de vida. Estava sozinho naquele instante juntamente com seu aparelho psíquico reconhecendo a sua existência, o seu viver. Era isso que importava verdadeiramente. Não só para ele. Respirou fundo e seguiu o seu caminho. A vida tinha de continuar.
Clara tinha mente clara com toda a sorte do pleonasmo. Ela era capaz de elucubrações altaneiras que somente as esferas superiores engendravam. Mas ela tinha uma doença rara e fatal. Clara segurava as marcas da frágil condição humana. Seu corpo agora definhava no leito, mas seus olhos ardiam como brasas, sua jovialidade transmitia vivacidade, solapando a seu modo o que os médicos anotavam em suas fichas sobre a sua decadência física. Ela não estava mais interessada nisso – ou nunca esteve vai ver – porque o que a movia internamente era ter a mente clara como Clara, podendo viajar em versos e transcender a carne em sonetos que ninguém ouvia. Só ela.
O céu estava cinza quando ela finalmente soltou a última fotografia ao vento. A imagem, desbotada pelo tempo, sumiu entre as folhas secas do outono. Ali, naquele parque vazio, ela percebeu que não precisava mais daquela lembrança para se sentir completa. Desnuda interiormente, sentia a brisa que roçava as folhas do Parque Continental. No ar soltou um suspiro que certamente tinha a essência da redenção pessoal proporcionada pelo próprio viver.
O Último Adeus
Ela o encontrou pela última vez em uma estação de trem, anos depois do que acontecera. Ele estava mais velho, com os olhos cheios de histórias que ela nunca conheceria. Não houve rancor, apenas um silêncio que dizia tudo. Quando o trem partiu, ela não chorou. Em vez disso, sorriu, porque finalmente entendera que alguns amores existem apenas para nos ensinar a deixar ir. A vitória consistia exatamente nisto: deixa ir o que foi vivido. Sem a carga emocional da idealização romântica.
As Cartas Não Enviadas
Na gaveta da escrivaninha, pilhas de cartas amareladas contavam uma história de saudade. Ela as escrevera em noites insones, quando a falta dele doía como um corte aberto. Mas nenhuma delas foi enviada. Alguns sentimentos, ela aprendera, são como sementes que nunca devem ser plantadas. Vive-se melhor sem plantá-las, mas ao custo muitas vezes de uma indigesta racionalização. Queria até ter plantado-as, mas se germinassem poderiam comprometer todo uma safra de especiarias anímicas. Ali, gravada em sua alma, cabia uma história de saudade, mas ainda assim era vivido no presente.
A Primeira Despedida
Foi em um café, sob a luz dourada do entardecer, que ele disse que partiria. “Não é para sempre”, mentiu. Ela acreditou, porque o amor às vezes nos cega para a verdade mais simples: nada é para sempre. Naquele dia, ela guardou o açúcar que ele não usou no café, como se fosse uma relíquia sagrada. Um santo pacotinho de sua lembrança; boa o suficiente para crer que um dia poderia revê-lo. Seu amor vivia sempre aceso por sua esperança.
O Início de Tudo
Eles se conheceram em uma livraria, quando as mãos deles se tocaram ao alcançar o mesmo livro. “Você acredita em destino?”, ele perguntou, com um sorriso que prometia infinitas possibilidades. Ela riu, sem saber que aquele momento seria o primeiro de muitos que ela guardaria como tesouros, mesmo depois que tudo acabasse. Antes dele, havia apenas um vazio que ela nem sabia existir. Um espaço sem nome, sem forma, que só ganharia significado quando preenchido — e depois, quando esvaziado novamente. Era ali, nessa ausência primordial, que tudo começava: a promessa de algo que um dia iria doer, mas que, mesmo assim, valeria a pena. A grande retórica do viver a coisa.
Ele, surpreso, sentiu seu corpo aquecer enquanto a mulher estendia a mão. Num instante, a selva ao redor desapareceu, e ele estava dançando sob as estrelas, juntos, com a onça agora como companheira. Mas ao acordar de seu devaneio, encontrou-se em uma cela escura, os olhos da onça agora eram os olhares dos guardas, que o mantinham preso em seu próprio silêncio.
A fantasia é frequentemente vista como um refúgio do real, um gênero que nos transporta para mundos de magia, dragões e heróis épicos. No entanto, ao aprofundarmos nosso olhar, podemos perceber que a verdadeira essência da fantasia está menos no escapismo e mais na reflexão sobre a condição humana.
Além dos tradicionais reinos mágicos e das batalhas contra forças sombrias, a fantasia tem o potencial de ser uma lente através da qual avaliamos nossas próprias limitações e sonhos. Em vez de meras narrativas de bravura, muitos autores contemporâneos estão usando a fantasia como um veículo para discutir temas profundamente enraizados na experiência humana: questões de identidade, pertencimento e a complexidade das relações interpessoais.
Imaginemos um mundo onde a magia não é uma força a ser controlada, mas uma metáfora para o potencial não realizado de cada indivíduo. Que tal uma sociedade onde a habilidade de conjurar feitiços é proporcional à capacidade de amar, de perdoar ou de entender o próximo? Nesse cenário, a verdadeira aventura não reside na batalha entre o bem e o mal, mas na jornada interna de cada personagem, que enfrenta seus medos, suas fraquezas e suas conexões com os outros.
Ainda mais, a fantasia pode se tornar um espaço de experimentação social, onde os tabus e as normas estabelecidos são desconstruídos. Histórias que desafiam o papel de gênero, a estrutura familiar ou as expectativas sociais, tudo isso pode emergir de mundos onde a realidade é moldada pela imaginação. Em vez de criaturas míticas, podemos encontrar espelhos que refletem nossas falhas e aspirações, permitindo-nos vislumbrar o que poderíamos nos tornar.
Portanto, ao considerar a fantasia sob essa nova luz, somos convidados a não apenas sonhar coletivamente, mas a enfrentar as sombras que habitam cada um de nós. O verdadeiro encantamento da fantasia pode, assim, residir na sua capacidade de nos ajudar a reimaginar não apenas outros mundos, mas o próprio mundo em que vivemos. Que histórias, então, podemos criar quando deixamos de lado os dragões e começamos a explorar os labirintos do coração humano?
Saiu voando para pegar seu brinquedo. Uma boneca de pano. Sua voz continha narrativa. Uma narrativa infantil, trazendo a inocência pura da criança. No seu conteúdo, uma conversa com um extraterrestre talvez, que parecia disputar com Normanda aquela tão querida boneca. Se esta tinha nome, a fantasia de Normanda ainda não tinha revelado, mas dava para ver o entusiasmo da criança, capturando a boneca num salto incrementado pela energia de seus nove anos. A menina viajava por uma sensação que havia criado a sua mente, e o símbolo, como a boneca de pano, corporificava a sua realidade. Voar era voar mesmo, muito acima da força de expressão.
Normanda se elevou no ar, as nuvens a rodeando como algodão doce. O vento suave acariciava seu rosto, e ela sentia que estava dançando com as estrelas. A boneca de pano, chamada Lúcia pela primeira vez em sua cabeça, estava firme em seus braços. Era uma boneca mágica, com cabelos de lã e um vestido florido que parecia brilhar sob a luz do luar.
“O que você quer com a Lúcia, Sr. Zog?” Normanda gritou enquanto voava mais alto. A criatura que a acompanhava era pequena e verde, com olhos brilhantes que refletiam toda a curiosidade do universo. Zog, o extraterrestre, respondeu com uma risadinha que ecoava como um sino. “Eu só quero descobrir todas as histórias dela! Ela tem aventuras no seu mundo?”
Normanda sorriu, encantada com a ideia. “Oh, sim! A Lúcia já foi a princesa de um castelo encantado, navegou por mares cheios de sereias e até voou com fadas em noites de luar!” Cada palavra era uma nova nuvem na qual ela dançava, tecendo uma tapeçaria de fantasia em sua mente.
O espaço ao redor se transformou. Eles estavam agora voando sobre um enorme castelo de cristal, onde dragões de papel eternamente lhe faziam companhia. Normanda e Zog giravam em espirais, contornando torres repletas de mistérios. “Mas você não pode levar a Lúcia embora!” Normanda alertou, sem deixar de rir. “Apenas você e eu podemos brincar com ela!”
Zog fez uma careta engraçada, que fez Normanda rir ainda mais. “Está bem, Normanda! Só quero entender. O que faz da Lúcia uma amiga tão especial?” A menina parou e pensou, a boneca em seus braços parecia pulsar de alegria.
“A Lúcia me entende! Ela nunca me julga e sempre está pronta para aventuras! Ela é parte de mim!” A voz de Normanda ecoou como um canto doce, e o cenário ao redor resplandeceu com uma luz radiante, como se o universo inteiro concordasse com suas palavras.
E, claro, Zog encontrou a mágica que procurava. “Então, que tal um combinado? Em cada aventura que você tiver com a Lúcia, posso aprender sobre o que é ser humano e viver essas histórias por meio de vocês duas!” Um pacto simples, mas carregado de imaginação e promessas de brinquedos encantados.
Normanda sorriu de orelha a orelha. “Sim! Vamos nos divertir juntos! As aventuras nunca acabam!” Assim, se lançaram em várias histórias. Voaram sobre arco-íris, viajaram no tempo e até descobriram uma floresta onde as árvores contavam as maiores histórias do cosmos.
Lúcia, agora com um brilho especial, parecia vibrar em sintonia com o entusiasmo de Normanda e a curiosidade de Zog. A caça pelas histórias continuava, e a inocência da menina tornava cada momento mágico, como se o mundo tivesse sido feito de contos e canções. Em sua fantasia, Normanda não era apenas uma criança de nove anos, mas uma guardiã de sonhos, capaz de transformar cada dia em um universo de possibilidades infinitas.
E assim, entre risadas, piruetas e novas aventuras, ela voou, mantendo a boneca próxima ao coração, onde a verdadeira magia sempre reside.
Captar a essência das coisas somava; um mais um igual a dois sem dúvida. Mas havia outra unidade oculta à espreita de se revelar. Estava além do real concreto. Abrigava-se da luz que invariavelmente lhe colocava a ribalta. Queria operar sem os holofotes, apenas refletindo o que se passava por sua mente. O brilho de imaginar lhe autorizava a buscar exprimir o que se lhe passava pelo olhar agudo em busca de algo novo, ou talvez de alguma coisa não contada ainda. Mera utopia: tudo já havia sido contado, embora lhe restasse fantasiar o contrário disso. Não havia começo, meio e fim, nem tampouco um outro ordenamento. Fantasia. Tudo passava tão ligeiro que muitas vezes a mente se limpava de qualquer resquício da imaginação vivida ali no recôndito de sua crescente vontade de imaginar. Um retrato da essência transposta para o cenário da descoberta vivaz. Era ali que cabia toda boa fantasia.
Benjamin estava a postos, já acomodado ao sofá da sala, como fazia semanalmente em sua visita ao Vô da Praia, como ele gostava de se referir a seu avô Saul. É que o velho Saul lhe contava sobre uma antiga casa sua à beira-mar, onde aconteciam coisas mirabolantes, como visitas noturnas de monstros marinhos a centopeias cabeludas. Saul adorava fantasiar com o neto, que expressava aassombro e inquietude muitas vezes. Mas havia algo a mais nessa relação: Saul não possuiu casa à beira-mar, porque nunca saiu do interior onde morava há mais de sessenta anos. “Então você mentiu?”, perguntou o neto. “Não”, Saul respondeu. “Eu só vivi mais nos meus sonhos do que neste lugar.” Benjamin sorriu e se lembrou do havia lhe falado o avô certa vez: “Viver em vários lugares só depende de sua fantasia”.
O Despertar do Comum
Ela acordou como sempre fazia: com o barulho do despertador, a luz do sol entrando pela janela e a sensação de que o dia seria igual a todos os outros. Mas, ao olhar para o espelho, algo estava diferente. Seu reflexo sorriu antes que ela o fizesse.
“Hoje não será um dia comum,” sussurrou o reflexo.
Ela hesitou, mas depois riu. Por que não?
O Caminho Secreto
No caminho para o trabalho, uma rua que ela nunca havia notado antes se abriu entre dois prédios. Era estreita, pavimentada com pedras irregulares, e no final havia uma porta verde desbotada. Sem pensar, ela entrou.
Do outro lado, não havia mais cidade—apenas um campo infinito sob um céu roxo, onde árvores balançavam ao som de uma música que ela reconhecia, mas nunca tinha ouvido.
O Guardião das Histórias
Um homem idoso, com olhos que brilhavam como estrelas, estava sentado em uma cadeira de balanço.
“Você finalmente chegou,” ele disse. “Estava esperando.”
“Onde estou?” ela perguntou.
“Onde as histórias começam e nunca terminam.” Ele estendeu a mão, oferecendo uma chave. “Você pode ficar ou voltar. Mas se ficar, lembre-se: a fantasia mais real é aquela que você escolhe viver.”
A Escolha
Ela segurou a chave, sentindo seu peso. Se voltasse, nada disso faria sentido. Se ficasse, talvez nunca mais visse sua vida antiga. Mas e se tudo isso fosse apenas um sonho?
Então, percebeu: não importava. A magia estava na dúvida, na possibilidade.
O Retorno
Quando pisou novamente na rua movimentada, a porta verde havia sumido. Ninguém ao seu redor parecia notar algo estranho. Mas no bolso do seu casaco, ela sentiu o metal frio da chave.
Sorriu. Talvez a verdadeira fantasia não estivesse em mundos distantes, mas na forma como ela decidisse ver o seu próprio. Ela tinha agora a chave dele; então, precisava usar essa preciosidade. Seu mundo a seus pés; somente seu, de mais ninguém. A magia estava dentro dela sempre, o tempo todo. Disso agora ela não tinha mais dúvida. A porta verde desbotada apareceu-lhe novamente à sua frente. Enfiou a chave que tinha no bolso e a porta sozinha se escancarou de inesperado. Não, não, não era um filme de terror, mas o mundo da sua fantasia a recebendo de porta aberta! “Venha! Entre e venha se distrair com a aventura da sua fantasia. O céu é o limite”. Ela entrou. E dali não saiu mais, do mundo de sua real fantasia.
Amor é frequentemente retratado como uma rosa radiante, simbolizando beleza e paixão, mas e se olhássemos para ele como um sistema subterrâneo de raízes entrelaçadas? No cerne da terra, onde a luz do sol raramente penetra, está a verdadeira essência do que é amar.
As raízes do amor não estão sempre visíveis, muitas vezes se estendendo em direções inesperadas. Elas podem se entrelaçar de forma caótica, lutando por espaço e nutrientes, assim como as relações humanas que se nutrem de experiências compartilhadas e de desafios superados. O amor não é apenas o que se vê na superfície – ele é a força silenciosa que sustenta a conexão entre corações.
Em sua busca, as raízes encontram obstáculos: pedras, outros sistemas radiculares, fenômenos naturais. Assim também, o amor enfrenta dificuldades, desentendimentos e desilusões. Mas é dentro desse labirinto que ele se fortalece, se adapta e se transforma, aprendendo a florescer em meio à adversidade.
Por outro lado, as raízes também se ajudam mutuamente, conectando-se através de fungos e microorganismos, numa relação simbiótica. Assim, podemos entender que o amor é uma rede de suporte. Não é apenas a união de duas almas, mas uma complexa tapeçaria tecida de empatia, respeito e crescimento mútuo.
Então, ao invés de buscar sempre a luz do sol, talvez devêssemos reconhecer a beleza e a força que reside na escuridão do solo. Porque o amor, em sua forma mais pura, é um vínculo profundo que, mesmo invisível, nutre e sustenta nossas vidas. É na essência das raízes que encontramos o verdadeiro caráter do amor: um mistério que se desenrola no silêncio da terra, uma conexão que desafia o tempo e o espaço.
Amar verdadeiramente sem pedir nada em troca é um dos gestos mais profundos e desafiadores que um ser humano pode experimentar. Esse tipo de amor — puro, incondicional e livre de expectativas — exige autoconhecimento, entrega e coragem. Aqui estão alguns caminhos para cultivá-lo:
1. Ame a si mesmo primeiro
– O amor incondicional pelos outros começa quando você não busca no outro o que falta em você.
– Pratique a autoaceitação: se você não se sentir completo sozinho, tenderá a ver os outros como fontes de preenchimento.
2. Libere expectativas
– Amar sem pedir em troca significa não exigir que o outro mude, retribua ou corresponda do jeito que você espera.
– Permita que o outro seja livre, mesmo que isso signifique que ele não ficará ao seu lado.
3. Dê sem registrar
– Faça pelo outro pelo simples gesto de fazer, não como um “investimento emocional” que exige dividendos.
– O verdadeiro amor não mantém um “livro de dívidas” afetivas.
4. Acolha a impermanência
– Tudo muda: relações, sentimentos, circunstâncias. Amar incondicionalmente é estar em paz com isso.
– Se o amor for verdadeiro, ele não dependerá de posse ou permanência.
5. Pratique o desapego
– Isso não significa frieza, mas sim amar sem sufocar.
– Como dizia Khalil Gibran: “Que haja espaços em vossa união.”
6. Veja o amor como um fim, não um meio
– Se você ama alguém para ser amado de volta, isso é uma troca (o que é válido, mas não é incondicional).
– O amor puro é como a luz do sol: ilumina sem perguntar a quem.
7. Ame até mesmo quem não te ama
– Isso não significa se sacrificar por quem te despreza, mas sim não deixar que a falta de amor do outro defina o seu.
– Como dizia Madre Teresa: “Amar até que doe. Se doer, ainda melhor.”
Reflexão Final
Amar sem condições não é sobre ser um mártir ou ignorar suas próprias necessidades. É sobre escolher expandir seu coração mesmo quando não há garantias. Esse amor não é fraco — é a forma mais selvagem e livre de coragem que existe.
“Amar é um ato de coragem.” (Vinicius de Moraes)
“Mãe e filha, não é possível”, gritou Clara, fitando Maria dentro dos olhos. Era uma noite fria, dez graus no máximo, e as duas mulheres dentro de uma barraca do tipo lobinho com poucas cobertas e sacos de estopa aninhados. Ambas estavam embrulhadas em roupas velhas e sujas, mãe e filha, que se olhavam quase sem acreditar. Clara segurava a mão de Maria, que tinha uma lágrima parada na pálpebra inferior que custava a cair. Maria, vítima de um despejo violento havia vinte anos, havia perdido a filha, Clara, no caos das ruas. Anos depois, ambas, sem saberem do passado comum, dormiam no mesmo ponto de ônibus até se tornarem amigas e conseguirem uma barraca para passar os dias nebulosos que a doce vida lhes negava. Nesta ocasião, Maria mostrou uma foto amassada que guardava no bolso e Clara reconheceu a criança que ela mesma fora um dia na foto. “Mãe e filha, não é possível”, tornou a gritar Clara, agora chorando as lágrimas acumuladas na desesperança. O amor vencia de novo, sempre. Ele as unira antes do destino separá-las, ficava evidente então. Ele estivera ali, invisível, no pão repartido, no abraço contra o vento, no instinto que as fez escolher sempre a mesma esquina até terem um “lar” para se abrigarem. Mãe filha, juntas novamente, mas não por obra do acaso.
Lúcifer conhecia a lei que proibia que um anjo caído amasse uma mortal, mas imerso na visão de Isadora envelhecendo sozinha, ele disse “não; não posso viver sem ela”. Então nada mais lhe restava senão renunciar à imortalidade — e pela primeira vez em séculos, sentiu o frio da noite contra a pele. Mas acordou ao lado de Isadora, que estava toda enrolada numa coberta. Fazia frio e Lúcifer contemplou a beleza de Isadora e seu coração amou-a mais que tudo, e, se tudo era abrangido pela imortalidade, significava que seu amor por Isadora ia além da vida eterna. Lúcifer percebeu então que o que era perene era o amor que sentia. Amanhã poderia nem mais estar vivo, mas estaria preenchido com sua amada até o último suspiro.
Rita sempre escrevia as cartas de Otávio. Na realidade, ela guardava todas as cartas que ele nunca enviou. Era triste, mas verdade. Se bem que Rita acreditava nas cartas “dele” que lhe serviam como conta-gotas de um sonho amoroso. Mas ela também tinha limites. Um dia, escreveu uma para si mesma e queimou as outras cartas. Na hora nem doeu, ela estava determinada a acaber com a autofarsa de amar Otávio sem ser correspondida. O fogo durou pouco, e logo ela viu todo o sonho amoroso virar cinzas. Logo um insight brilhou na sua mente: amar a si mesma era a única reinvenção que importava. Rita era muito mais que uma simples apaixonada. Otávio não merecia seu amor e ponto final.
Fazer aquilo todos os dias era uma tortura. Simão bem o sabia. Trabalhar como embalador naquela fábrica era reduzir seu intelecto a zero.
Mas havia uma chama persistente em seu coração, uma convicção silenciosa de que esse trabalho, por mais árduo que fosse, era apenas uma etapa de sua jornada. Ele usava os intervalos para ler livros sobre empreendedorismo, colecionando ideias enquanto sonhava com o dia em que sua própria empresa tomaria forma. Com o tempo, os colegas começaram a notar seu brilho nos olhos e a insegurança de antes foi substituída pela determinação.
Então, um dia, ao entrar na sala de descanso, Simão encontrou um antigo amigo de faculdade que, por acaso, era um investidor em busca de novas ideias. Em uma conversa despretensiosa, ele compartilhou sua visão: criar uma linha de produtos sustentáveis. O amigo, impressionado, não apenas ofereceu investimento, mas se tornou seu sócio. E assim, a fábrica, que um dia parecia ser seu cárcere, se tornou o palco de seu sucesso inédito, revelando que a própria adversidade pode ser a chave para se abrir portas inimagináveis.
O conceito de sucesso é subjetivo e varia imensamente de uma pessoa para outra, refletindo suas experiências, valores e objetivos pessoais. No entanto, a visão de sucesso frequentemente compartilhada por pessoas bem-sucedidas na vida e na carreira revela algumas características comuns que ajudam a moldar essa definição.
1. Realização Pessoal: Muitas pessoas de sucesso consideram que a verdadeira realização vem de estar alinhado com seus valores e paixões. Para elas, sucesso não é apenas sobre conquistas externas, como riqueza ou prestígio, mas também sobre satisfação interna e bem-estar emocional.
2. Contribuição e Impacto: Para muitos líderes e inovadores, o sucesso está associado ao impacto positivo que podem causar na vida dos outros. O sentimento de contribuir para um bem maior ou fazer a diferença em suas comunidades é um dos critérios mais valorizados.
3. Crescimento Contínuo: Muitas pessoas bem-sucedidas enxergam o sucesso como um processo contínuo de aprendizado e evolução. Elas acreditam que o desenvolvimento pessoal e profissional deve ser um compromisso vitalício, buscando sempre novas habilidades, conhecimentos e experiências.
4. Resiliência e Superação: A capacidade de enfrentar desafios e superar adversidades é frequentemente citada como um pilar do sucesso. Para essas pessoas, o que realmente importa é a forma como lidam com os obstáculos, aprendendo com os fracassos e persistindo diante das dificuldades.
5. Equilíbrio: Outra definição comum é a busca por um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional. Para muitos, o sucesso é poder desfrutar de tempo com a família e amigos, cultivar relacionamentos significativos e cuidar da saúde mental e física.
6. Autenticidade: Muitas pessoas bem-sucedidas valorizam a autenticidade, defendendo que ser verdadeiro consigo mesmo e agir de acordo com suas crenças e princípios é fundamental para alcançar o verdadeiro sucesso.
Essas definições refletem a diversidade de perspectivas sobre o que significa ter sucesso. Embora o caminho possa ser diferente para cada indivíduo, a chave parece estar em encontrar um significado pessoal e satisfatório que transcenda as métricas tradicionais de sucesso. Em última análise, o sucesso é uma jornada única que é moldada por nossas próprias escolhas e experiências.
O sucesso raramente acontece da noite para o dia. Exige anos de dedicação, aprendizado e persistência. Você terá que abrir mão de momentos de lazer imediato para investir no futuro.
Manter o foco e evitar distrações (como procrastinação ou vícios) é essencial. Significa dizer “não” a certas tentações para priorizar o que realmente importa.
Crescer exige enfrentar desafios, riscos e situações desconhecidas. Muitas vezes, você terá que abrir mão da estabilidade momentânea para alcançar algo maior.
Educação, networking, investimentos pessoais e oportunidades podem exigir dinheiro. Mesmo que não seja o fator principal, recursos bem aplicados aceleram o progresso.
Às vezes, você precisará priorizar metas em vez de eventos sociais ou até mesmo lidar com inveja ou incompreensão de terceiros. Manter relações saudáveis, mas sem deixar que elas impeçam seu crescimento, é um equilíbrio difícil.
O caminho para o sucesso inclui erros, rejeições e críticas. Você pagará um “preço emocional”, mas aprenderá a lidar com frustrações e a se tornar mais resiliente.
Escolha. Decisão. Determinação. E a panela ainda estava fria. Resiliência. Jogo de cintura. Inteligência emocional. Fé. Mas ainda a panela não estava quente, cabendo habilidades, capacidade, experiência. Nada de receita; somente ingredientes. Tantos outros também podem fazer parte da iguaria dos bem-sucedidos. “Sorte minha; tenho a maior parte”, pensou Bernardo. Ele estava chegando à terceira idade e olhava para trás com orgulho. Sentia-se consagrado com essa “poção mágica” de sua panela fumegante. O preparo cuidadoso de quem tinha consciência de seu papel no mundo, e sua vitória estava realmente nisso, acreditava Bernardo. Mas o sucesso não vinha para todos, ele sabia. Era preciso do fator sorte, algo que talvez se operasse em um plano de existência invisível e que determinaria quem e quando teria sucesso. Isso não estava sob seu controle, ele também o sabia. Mas o que ele sabia ainda melhor era ter foco no que realmente importava: a sua missão de tornar esse mundo melhor sem receita, mas contando com seus recursos intelectuais, emocionais, espirituais. Ele viu que na sua panela a iguaria já estava pronta para ser servida. O primeiro da fila que se aproximasse então!
Eduardo tinha acabado de visitar seu pai moribundo. Ainda ecoava em seus ouvidos a voz do pai como numa despedida: “Você devia ter sido doutor.” Então que adiantava Eduardo ver-se refletido no milionário edifício com seu nome estampado? Aquilo tudo parecia agora sem nenhum valor. Ele que havia abandonado a faculdade de medicina para fundar sua startup de inteligência artificial. Faltava apenas um semestre para se formar médico. “Você devia ter sido doutor.” Seu pai talvez tivesse razão passou pela sua cabeça, enquanto sentia seu corpo esmorecer por instantes bem defronte ao imponente prédio. O que poderia fazer com os aplausos do mundo que ecoariam surdamente num imenso vazio? Fazia sentido ser tão bem-sucedido seguindo seus próprios passos sem ouvir seu pai? A reflexão era um tanto dolorosa, mas necessária; sem ela, nenhum passo seria mais possível na sua trajetória de sucesso. Esse era Eduardo Justino. Um empreendedor bem-sucedido que seguiu sua intuição e contrariou seu pai.
O pai acariciou a menina quando ela tinha uns dez anos e lhe disse em alto e bom som: “Sucesso é status; ser bem-sucedido é ser dono da própria alma”. Ana, a filha, jamais se esqueceu disso e chegava aos quarenta com carro importado e depressão. O que importava era a vida corporativa, seu status (por isso a lembrança do que dissera seu pai), mas ela estava com saco cheio! Não esperou passar e, no dia seguinte, trocou o salto alto por tênis e foi correr no parque. Era incrível como seu pai tinha razão: ela era dona de sua própria alma agora, uma sensação maravilhosa de ser bem-sucedida de verdade. Pela primeira vez, ela sorriu sem precisar de filtro. Só de um tênis.
Ela era um gênio. Assim considerada pelas amigas da classe. Chamavam-na de Geninha.
Desde pequena, Geninha sempre se destacava nas aulas, devorando livros como se fossem doces e explicando teorias complexas com uma simplicidade que cativava a todos. Mas o que ninguém sabia era que seu verdadeiro talento não residia apenas na capacidade de entender o mundo, mas sim na habilidade de aprender com ele. Certa vez, durante uma aula de ciências, assistiu a um experimento que falhou miseravelmente. Ao invés de rir, Geninha puxou seu caderno e começou a anotar o que não havia funcionado, sugerindo até soluções alternativas. Ao final do semestre, o professor a elogiou por sua dedicação, mas o que deixou todos surpresos foi o fato de que, após a aula, ela secretamente apresentou uma invenção sua: uma máquina que transformava erros em aprendizado, uma ideia revolucionária que mudaria a maneira como as pessoas viam o fracasso para sempre.
Aprender é um processo contínuo e essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional ao longo da vida. Embora a educação formal forneça uma base, a verdadeira habilidade de aprender vai além das salas de aula e dos livros. Aqui estão algumas reflexões sobre como saber aprender na vida:
1. Mentalidade de Crescimento: Cultivar uma mentalidade de crescimento é fundamental. Acreditar que suas habilidades e inteligência podem ser desenvolvidas com esforço e prática permite que você veja os desafios como oportunidades de aprendizado.
2. Curiosidade: Mantenha sempre uma atitude curiosa. Faça perguntas, busque entender o “porquê” das coisas e explore novas áreas de conhecimento. A curiosidade é um motor poderoso para a aprendizagem.
3. Autoavaliação: Reflita sobre suas experiências e identifique o que funcionou e o que não funcionou. Aprender com os erros é uma das maneiras mais eficazes de crescer. A autoavaliação permite ajustar suas abordagens e estratégias.
4. Diversidade de Fontes: Não limite seu aprendizado a uma única fonte. Busque informações de livros, cursos, podcasts, documentários e conversas com pessoas de diferentes experiências. Essa diversidade enriquece sua compreensão sobre os temas de interesse.
5. Prática e Aplicação: Teoria sem prática muitas vezes é insuficiente. Tente aplicar o que aprendeu em situações do dia a dia. A prática solidifica o conhecimento e ajuda a transformá-lo em habilidade.
6. Feedback: Esteja aberto a receber e dar feedback. A troca de experiências e opiniões com os outros pode oferecer novas perspectivas e insights valiosos sobre seu próprio aprendizado.
7. Resiliência: O caminho do aprendizado está repleto de obstáculos e frustrações. Desenvolver resiliência é vital para continuar avançando, mesmo quando os resultados não são imediatos.
8. Mindfulness e Atenção Plena: Estar presente e atento ao que você está aprendendo pode melhorar significativamente a retenção de informação e a compreensão. Pratique a atenção plena para aproveitar ao máximo as experiências de aprendizado.
9. Tempo para Reflexão: Reserve momentos para refletir sobre o que você aprendeu. A reflexão ajuda a consolidar o conhecimento e a conectar diferentes ideias e experiências.
10. Defina Objetivos: Estabelecer metas claras e alcançáveis dá direção ao seu aprendizado. Divida objetivos maiores em etapas menores e celebre suas conquistas ao longo do caminho.
Saber aprender na vida é uma arte que requer prática e comprometimento. Ao adotar essas abordagens, você estará mais preparado para enfrentar desafios, se adaptar a novas realidades e continuar crescendo ao longo de sua jornada. Lembre-se: a aprendizagem é uma aventura que não tem fim.
Analise o erro sem julgamentos excessivos. Pergunte-se: “O que aconteceu? Por que aconteceu?” Identifique as causas raízes (falta de conhecimento, distração, pressa, etc.).
Evite culpar terceiros ou circunstâncias externas. Assumir o erro é o primeiro passo para corrigi-lo e evitar repetições.
Transforme o erro em aprendizado: “O que posso fazer diferente da próxima vez?” Anote as lições em um diário ou lista de “aprendizados”.
Use o erro como motivação para testar métodos alternativos. Exemplo: Se falhou em uma prova por estudo passivo, experimente técnicas ativas (resumos, exercícios práticos).
Peça opiniões de mentores, colegas ou especialistas para entender perspectivas diferentes. Pergunte: “Como você teria lidado com essa situação?”
Enxergue os erros como degraus para a evolução, não como fracassos. Lembre-se: “Errar não significa que sou incapaz, mas que estou aprendendo.”
Um olhar lá longe e se bastava. Via-se no futuro, alcançando ilimitados recursos que ainda estavam sendo formulados. A humanidade progredia a olhos vistos e seu olhar ia lá nos estertores do além-sonho. A vida era um sonho, um sonhar acordado, isso era fato, mas saber aprender estava no topo da pirâmide. Alguma coisa sempre era possível adquirir nesse viver absolutamente onírico. O tempo ia passando, seu olhar via o relógio atemporal correndo uma longa maratona. “Onde ele vai com essa pressa, meu Deus!” A Terra girando e movimentando a vida existente nos trópicos. Obter o imaterial conhecimento parecia inerente ao viver. Um olhar à frente para capturar o presente. Aqui e agora se aprende e a emoção transborda.
O monge Rupert já havia alertado Leyla, uma jovem moradora do Vale do Silêncio, que as escrituras sagradas eram perigosas para mulheres. No entanto, Leyla insistia em aprender o que lá havia de tão secreto para as mulheres, que voltou todas as noites em segredo. Suas mãos já estavam marcadas pelas chicotadas, mas ela resistia em seguir até que seus machucados dedos viraram as últimas páginas do livro proibido. Ela levou a mão à boca, surpresa um tanto chocada. Seus olhos cresceram em seu rosto que mostrou rugas na testa de tonalidade azeitada. Aquilo então era o que pretendiam esconder das mulheres? Ela ficou indignada em saber que seu papel se restringia a tão pouco. Ela correu até o monge Rupert e lhe disse que tinha aprendido uma coisa muito ordinária e sentia vergonha de ser mulher. Estava disposta a trocar de sexo. Foi a vez do monge ficar supreso. Tratava-se de outra realidade que ele precisava aprender da nova geração: “somos o que queremos ser”. Esse era o slogan que soava dessa gente mais nova, não tão diferente da geração do monge Rupert, que também foi ser o que ele quis ser. Cada qual então aprendendo de sua forma a ser o que é.
A natureza humana é um tema fundamental para entendermos tanto a vida do sujeito individual quanto as dinâmicas que permeiam a vida social. Cada indivíduo carrega dentro de si um conjunto de características, comportamentos e anseios que são moldados por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Essas características se revelam nas escolhas diárias, nas relações interpessoais e nas reações diante de diferentes situações.
No contexto da vida do sujeito, a natureza humana se manifestará nas emoções, nos desejos e nas motivações que guiamos. A busca por amor, reconhecimento e pertencimento são aspectos intrínsecos que moldam a identidade e a trajetória de cada um. A vulnerabilidade, por exemplo, é um componente essencial que pode tanto fortalecer laços como também criar barreiras, revelando como a fragilidade é inerente à condição humana.
Em um nível social, as interações entre indivíduos revelam padrões mais amplos que estão relacionados à cultura, à moral e às normas sociais. A maneira como uma sociedade lida com a empatia, a solidariedade e os conflitos é um reflexo direto da natureza humana. Ademais, é nas relações sociais que se torna evidente a luta entre interesses pessoais e o bem coletivo, evidenciando as tensões que permeiam a convivência humana.
Assim, a natureza humana não apenas determina a forma como os indivíduos vivem suas vidas, mas também influencia as estruturas e dinâmicas sociais. Ao compreender essas interações, ganhamos insights valiosos sobre o comportamento humano e as formas de convivência que podem promover uma sociedade mais harmoniosa e justa. Essa consciência é fundamental para o desenvolvimento de uma convivência baseada na empatia e no respeito mútuo, elementos essenciais para o progresso social.
Eu não sou o que você está pensando porque sei que me julga. O crivo implacável do julgamento ronda as pessoas de bem; do mal eu não sei, talvez não, eles se perderam em sua natureza, foram levados para a outra divisa que eu e você rejeitamos. Sabemos no fundo por quê. Não nascemos para isso, nossa natureza tem jeito, tem conserto, enquanto os que se perderam, estão perdidos, não há como salvá-los, eles não possuem chão; só agem impulsiva e compulsivamente atrás da redenção que os regenere como acumuladores. Bens móveis ganhando altura como uma torre de Babel. Somem afundados em sua natureza lesada. Eu e você não temos poder para redimi-los, talvez nem queiramos isso, mas você sabe, é de nossa natureza humana ajudar o próximo. Ou não. Tudo depende, a contrapartida é natural ser alcançada. Vamos nos olhar com o que temos de melhor dentro de nós. Acredite no ser humano, nós merecemos. O universo nos compensará, acredite!
Camila jurara nunca perdoar uma traição, ainda mais de alguém tão especial como João Ricardo. Como não se comover com o choro do jovem feito um menino perdido e refém de um sentimento de culpa avassalador? Ajoelhado ali diante dela, com o rosto encharcando-se de grossas lágrimas, ela não teve como se conter. Soava tão natural a emoção de João Ricardo que Camila não pensaria sobre ela senão reagiria com outra emoção: o acolhimento natural. O ódio que sentia tinha sido substituído como num passe de mágica e quando se percebeu, estava ela abraçada fortemente em João Ricardo, ambos chorando numa comunhão nunca até então vista entre eles. Alguns abraços eram mais fortes que todas as razões. Moral da história: João Ricardo estava, pois, perdoado.
Lindos e sobranceiros eram os poemas de Naamos Vergel. Falavam de nobres ideais, elevando o leitor e até mesmo o autor a níveis intelectuais incomensuráveis. Mas, ainda assim, eram poemas difíceis, que nem todos tinham entendimento e sensibilidade para tal. Um dia, o poeta Naamos publicou um lindo e tocante poema sobre sua própria covardia. “Essa é a minha natureza; sou humano”, justificou. Foram tantos que responderam positivamente, porque este falava da fraqueza que todos conheciam. Um sucesso formidável do poeta. Na realidade, o único trabalho que realmente tocou os leitores. A natureza humana era comum a todos, obviedade que Naamos Vergel agora sabia como ninguém.
A liberdade pessoal é um dos pilares fundamentais que sustentam tanto a vida do indivíduo quanto a dinâmica da coletividade. Em uma sociedade democrática, a liberdade garante que cada sujeito tenha a autonomia para expressar suas ideias, fazer escolhas e perseguir seus próprios objetivos. Essa capacidade de agir de acordo com suas convicções não apenas promove o desenvolvimento pessoal, mas também enriquece a diversidade cultural e social, uma vez que as diferentes vozes e perspectivas contribuem para um ambiente mais plural.
No âmbito da coletividade, a liberdade pessoal é essencial para a promoção da cidadania ativa. Quando os indivíduos se sentem livres, tendem a se envolver mais em questões sociais e políticas, o que fortalece as instituições democráticas e estimula a responsabilidade cívica. A participação ativa da população é vital para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, onde os direitos de todos são respeitados e valorizados.
Além disso, a liberdade pessoal está intrinsecamente ligada ao bem-estar emocional e mental. Quando as pessoas têm a liberdade de viver de acordo com suas escolhas, sentem-se mais satisfeitas e motivadas, o que se reflete em suas relações interpessoais e na convivência comunitária. Por outro lado, a restrição da liberdade pessoal pode levar a sentimentos de frustração, descontentamento e até mesmo revolta, prejudicando a harmonia social.
Portanto, a liberdade pessoal não é apenas um direito individual, mas um fator preponderante que influencia a saúde e a vitalidade de toda a coletividade. A promoção e a proteção desse valor são essenciais para o desenvolvimento de sociedades mais justas, inclusivas e resilientes, onde cada indivíduo possa contribuir com seu potencial único para o bem comum.
Escapar, mas não escapismo. A busca pelo espaço sideral com os pés na terra. Estranho, só o ser humano para isso, nenhum robô. A visita às mais fabulosas galáxias permite avaliar a grandeza de ser. Nada além disso, tudo isso! Liberdade de estar nas estratosferas sem artifícios. Um dom libertário se avizinha, toma conta sem drone. Agarro o ser livre e me perco no seu vácuo não vazio. Tudo preenchido, meu amor inclusive. Amor de ser livre mesmo no sistema. Com vontade e persistência resisto. Até o fim da linha que desagua no infinito das possibilidades.
Vicente havia sido condenado. O sistema o condenou à prisão perpétua, mas o acaso impensável trouxe um evento à realidade daquele presídio cercado de muros encimados com cercas eletrificadas: um terremoto. Um terrível terremoto, diga-se, a ponto de rachar os muros da penitenciária. Os prisioneiros ficaram soterrados, pelo menos uma boa parte. Vicente, por sorte, não estava entre esses, tinha mesmo era a visão aberta do vale. Não restara um muro e ele estava inteiro. Enquanto se apalpava para ver se vivia mesmo aquela realidade, ouviu gemidos e pedidos de socorro. Novamente, ele olhou para a rua. Tudo estava livre, ele poderia fugir e encontrar de novo sua liberdade. Mas ele ficou ali para salvar quem for que estivesse sob os escombros, incluindo os carcereiros do presídio. Na verdade, a sua verdadeira liberdade não dependia de grades, e sim da escolha de ser humano.
Havia um poeta que escrevia cartas de amor endereçadas “ao vento”. Quando lhe perguntaram por que nunca as enviou, sorriu: “Minha natureza é ser livre”. Suas palavras nunca eram vagas, mas vagavam por dimensões onde ser livre era tão natural quanto suspirar. O poeta prosseguiu em sua jornada, afinal tinha a missão de ser livre e dar vida aos seus versos. Anos depois, encontraram esses mesmos versos rabiscados em paredes de cidades distantes – cada palavra um suspiro que não precisou de destinatário para existir. A existência do poeta se justificava plenamente em sua liberdade poética.
Em paralelo, o engajamento em atividades de voluntariado tem mostrado resultados positivos, com cerca de 80% dos voluntários afirmando que essa experiência contribui para uma autoestima mais elevada e uma sensação de propósito na vida. Esses dados reforçam a importância de ambientes saudáveis, suporte psicológico e a prática de atos altruístas como fatores que podem promover melhorias significativas na saúde mental.
Queria eu ter visto o que aconteceu comigo. O tempo passando e me levando adiante, porém sem dar pistas do que acontece comigo. Egoísmo temporal? Não sei responder. A consciência do tempo talvez tenha escondido meus mecanismos psíquicos e físicos a ponto de eu não saber ao certo em que pontos da minha história marcam a minha mudança. Não é só passar do tempo; é mudança real, que eu vejo no meu rosto e também na minha alma. “É a vida”, dizem. A sabedoria da vida, a consciência do tempo, as marcas da mudança. Tudo contribui para a evolução do ser. Abro um sorriso num esgar de uma feliz constatação: estou mudando para melhor, isto é, aproveitando meu tempo de verdade. E você?
Mateus pegou seu machado e partiu sozinho rumo ao deserto. Carregava apenas um balde vazio e a loucura de quem prefere morrer buscando mudança a viver aceitando o fim. Naquele vilarejo onde morava, acreditava-se que as águas do rio sagrado nunca secariam, mas não foi isso que aconteceu. Quando a última gota evaporou sob o sol implacável, Mateus pegou os dois objetos e se mandou. Não lhe passou pela cabeça aceitar um fim tão miserável. Era questão de sobrevivência, mesmo sabendo que estava rumando para o deserto. O que lhe movia era tentar ao menos mudar a sua chance, pois por pior que fossem os prognósticos de sobrevida no deserto, ele ainda podia tentar mudar alguma coisa talvez. O que sabia, agora, é que mudar a sua realidade ainda era possível; já sobreviver no deserto não tinha tanta certeza. Acima de seus pés ia junto o espírito da mudança contido na esperança.
Rodolfo estava sendo reconhecido. Finalmente. Ele que era um militante pelos direitos dos animais, fazendo e acontecendo desde que tomara para si essa responsabilidade. No entanto, Rodolfo tratava o próprio cachorro como mobília. E, pior, uma mobília invisível, até o dia em que seu vira-lata sumiu. Rodolfo se viu sem o companheiro de longa data, e saiu atrás do bichinho porque estava sofrendo uma perda que, a seu ver, era irreparável. Com olheiras profundas pelo desgaste emocional e físico, percebeu que protestar era fácil, mas, amar, exigia mudança real. Acabou encontrando Totó num abrigo e o adotou pela segunda vez. Enquanto caminhava de volta para casa, percebeu que tinha também adotado uma nova forma de enxergar a vida. Um outro reconhecimento então estava em curso, de que a mudança verdadeira começava primeiro dentro dele.
Diversos relatos mostram que a felicidade raramente surge em grandes eventos, mas sim em detalhes despercebidos: o cheiro do café pela manhã, uma mensagem inesperada, o silêncio confortável entre velhos amigos. Pessoas que passaram por perdas ou crises costumam destacar que, só depois, perceberam o valor do que parecia trivial. Um estudo com idosos revelou que muitos se arrependiam não do que viveram, mas do que deixaram de apreciar no caminho. A surpresa? Quem busca a felicidade no futuro distante ou em conquistas grandiosas muitas vezes já a teve — e não soube reconhecê-la. A vida, afinal, é feita de instantes que, somados, valem mais que qualquer destino.
Conseguem harmonizar trabalho, lazer, relacionamentos e autocuidado, evitando o esgotamento e priorizando o que realmente importa.
Cultivam laços profundos com familiares, amigos ou parceiros, baseados em confiança, respeito e apoio mútuo.
Compreendem suas forças, fraquezas e emoções, aceitando-se como são e trabalhando para crescer sem autocrítica excessiva.
Encontram significado em suas atividades, seja no trabalho, hobbies ou voluntariado, sentindo que contribuem para algo maior.
Não necessariamente riqueza, mas estabilidade suficiente para viver sem estresse constante por dinheiro, permitindo escolhas alinhadas a seus valores.
Mantêm hábitos saudáveis (exercícios, alimentação, sono) e gerenciam o estresse, muitas vezes através de práticas como mindfulness ou terapia.
Não dava outra; ser feliz era a meta. Não só a meta, mas A META. Ciente disso, ele foi se estruturando para esperar de braços abertos a felicidade. Será que ela viria? Já estava aqui. Era abrir os olhos da mente e contemplá-la. Tinha também beleza! Era uma alegria e tanto tê-la como companheira ativa e esplendorosa. O brilho de seu rosto era reflexo do sol. Abraçou-a por longo tempo, deliciando-se com seu calor suave e acolhedor. Estavam juntos num só corpo. Ele sabia finalmente o que era ser feliz. Foi só abrir os braços e se deixar levar pela radiante alegria que tomou o seu corpo.
Carlos não tinha nem trinta anos quando somou mais de dez milhões em suas contas bancárias. Além disso, sua vida ia de vento em popa, vivia a vida colecionando diplomas e bens, mas tudo a um custo que lhe exigia esforço, tempo e dedicação. Um dia, passando por uma movimentada avenida, viu um mendigo cantando desafinado sob uma garoa e aquilo lhe chamou muito a atenção. Ficou contemplando o sujeito e sua leveza frente à instabilidade do tempo e da sua própria autofalência socioeconômica. Poderia dar um milhão ao mendigo para ele se reerguer no mundo. Carlos não pensou duas vezes, foi lá e convenceu o mendigo a aceitar o seu milhão e não sabe o que o mendigo fez com o dinheiro, mas ele, Carlos, guardou o restante do dinheiro ganho e comprou um violão. Era hora de, pela primeira vez na vida, descobrir de verdade o peso insuportável de ser leve. “Aquele mendigo era feliz e não sabia!”
A criatividade é a ponte entre o comum e o extraordinário, transformando limitações em possibilidades. Ela permite que pessoas reinventem seus caminhos, expressem emoções sem palavras e enxerguem soluções onde outros veem obstáculos. Mais do que uma habilidade, é uma forma de resistência — contra a rotina, o óbvio e a estagnação. Seja na arte, na ciência ou no cotidiano, é ela que nos lembra: toda realidade começa com um simples “E se…?”. Por isso, cultivar a criatividade é nutrir a própria essência humana, sempre em busca de significado e beleza.
Um tiro de canhão a explodir a muralha. Destruir para entrar de uma vez e invadir a área. Dominar e sentir o poder da invasão. Tudo fica então parecer fácil. O nascimento de uma imagem: a muralha preexistente agora em ruínas. Coloca-se o acontecimento como pilar. É a partir disso que a história começa a acontecer. A cabeça flutua e vai ao encontro da situação, e de inesperado a bala de canhão explode novamente. Agora, a cabeça se despedaça em fragmentos magnetizados. O calor chega e incendeia a muralha e a cabeça. O fogo a diminuir sua chama. Cinzas se espalham ao vento, reduzindo o que havia sido criado. Agora só resta recomeçar do zero.
Pessoas que trabalham com arte, música, escrita, teatro e outras formas de expressão artística costumam ser vistas como altamente criativas devido à sua capacidade de pensar fora da caixa e gerar ideias originais.
Indivíduos que desenvolvem novos produtos, serviços ou negócios muitas vezes demonstram criatividade ao resolver problemas de maneiras inusitadas e identificar oportunidades onde outros não veem.
A criatividade é essencial para formular hipóteses, desenhar experimentos e encontrar soluções para desafios complexos, especialmente em áreas como física, medicina e tecnologia.
Aquelas que conseguem explorar múltiplas perspectivas e gerar muitas ideias rapidamente (um traço comum em testes de criatividade) são frequentemente consideradas mais criativas.
Algumas pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou autismo podem apresentar pensamento não convencional, associado a soluções criativas e insights únicos.
Pessoas que têm contato com diferentes culturas, idiomas e experiências de vida tendem a combinar ideias de formas inovadoras, ampliando sua capacidade criativa.
Criatividade na Utopia
Na utopia (sociedade idealizada, harmoniosa e perfeita), a criatividade é geralmente:
Livre e incentivada: A expressão artística, científica e intelectual é valorizada como um bem coletivo.
Colaborativa: O foco está no bem comum, e a inovação visa melhorar a vida de todos, não apenas de indivíduos.
Harmoniosa com a natureza e a sociedade: A criatividade não é destrutiva; está alinhada com os princípios éticos e sustentáveis da utopia.
Sem repressão: Não há censura ou controle opressivo sobre ideias, pois a sociedade é construída na confiança e na razão.
Exemplo: Em A Utopia (Thomas More), a arte e a ciência servem para o equilíbrio social, sem competição destrutiva.
Criatividade na Distopia
Na distopia (sociedade opressiva, controlada e muitas vezes aparentemente perfeita, mas corrupta), a criatividade é:
Controlada ou reprimida: Governos totalitários ou sistemas opressivos limitam a expressão criativa para manter o poder.
Subversiva ou clandestina: A verdadeira criatividade muitas vezes surge na resistência, em formas de arte rebelde ou em movimentos underground.
Instrumentalizada: Se existe criatividade “oficial”, ela serve à propaganda do regime (como em *1984*, de Orwell).
Individualista ou desesperada: Em meio à opressão, a criatividade pode ser uma forma de fuga (como em Fahrenheit 451, onde livros são memorizados para preservar conhecimento).
Exemplo: Em Admirável Mundo Novo (Huxley), a arte é massificada e vazia, servindo apenas para entreter e controlar.
Leila não acreditou quando ouviu do editor que seu livro era “incomercial”. Parecia-lhe improvável que isso fosse realidade, mas, se era assim, melhor agir em conformidade com o “tal do mercado editorial” e queimar cada página do livro em uma fogueira clandestina. Leila saiu do escritório do editor e seguiu rumo a um galpão abandonado e iniciou aquilo que seria a queima de seu livro inédito. Era possível ver as cinzas surgindo de cada página queimada, mas o mais misterioso é que não apenas surgiram essas cinzas, mas também cartazes colados pela cidade com frases enigmáticas do livro queimado. E, nas redes sociais, muitos leitores da autora Leila Mun exigiam a história que ninguém quis publicar. Este então era o enredo que ela deveria contar: O impublicável livro de Leila Mun. Foi o que ela fez com muita criatividade, e, como resultado, sucesso de público.