Sinopse: O livro analisa a transformação histórica dos sistemas punitivos no Ocidente, desde os suplícios públicos e espetaculares do Antigo Regime até o nascimento da prisão como forma moderna de punição. Foucault argumenta que essa mudança não representa apenas um avanço humanitário, mas uma nova estratégia de poder: o poder disciplinar. A obra detalha como as disciplinas, técnicas de controle minucioso sobre o corpo e o tempo dos indivíduos, surgiram em instituições como escolas, quartéis e hospitais, e foram posteriormente generalizadas para toda a sociedade. O Panóptico de Bentham é apresentado como o diagrama arquitetural ideal desse novo poder, que visa tornar os indivíduos visíveis e dóceis. Foucault demonstra que o sistema prisional, em vez de eliminar o crime, produz a delinquência como uma ilegalidade controlada e útil, e que a “alma” do homem moderno é, na verdade, o efeito de uma sujeição política e de um saber que a toma como objeto. A obra é, portanto, uma genealogia da sociedade disciplinar e das modernas ciências humanas.

