Sinopse: “Viagem a Portugal” é um relato de viagem do Prêmio Nobel José Saramago, no qual o autor percorre o país de norte a sul, documentando suas impressões sobre a paisagem, a arte, a arquitetura e, acima de tudo, as pessoas que encontra pelo caminho. Mais do que um guia turístico, a obra é uma reflexão profunda e sensível sobre a identidade portuguesa, combinando a descrição de monumentos e cidades com a história, a literatura e a memória afetiva do próprio viajante. Com uma prosa lírica e atenta aos detalhes, Saramago não se limita aos roteiros convencionais; ele se perde em estradas secundárias, visita lugares esquecidos e estabelece diálogos com os habitantes locais.
Autor: José Saramago
-

Ensaio-sobre-a-lucidez
Sinopse: Numa capital não identificada, durante umas eleições autárquicas, ocorre um fenómeno sem precedentes: mais de 70% dos eleitores votam em branco. Perante a repetição da eleição, a percentagem sobe para 83%. O que começa como uma surpresa para o poder instituído transforma-se numa crise política de proporções colossais. Incapaz de aceitar este ato de protesto pacífico e democrático, o governo, apoiado pelos partidos tradicionais (direita, centro e esquerda), assume que se trata de uma conspiração organizada e reage com medidas progressivamente autoritárias: declara o estado de sítio, cerca a cidade com o exército, proíbe a saída dos seus habitantes e lança uma violenta campanha de investigação policial para encontrar os “culpados”.
A narrativa acompanha a perplexidade e a escalada repressiva do poder, centrando-se nas reuniões do governo e nos esforços falhados da polícia secreta para desvendar a “conspiração”. Paralelamente, revela-se a existência de um pequeno grupo de pessoas que, durante uma anterior epidemia de cegueira (em Ensaio sobre a Cegueira), foram guiadas por uma mulher que, misteriosamente, nunca perdeu a visão. Esta mulher e o seu círculo de amigos tornam-se os principais alvos da suspeita governamental, sendo transformados em bodes expiatórios. A história culmina num crescendo de tensão, violência e tragédia, expondo a fragilidade da democracia quando confrontada com a vontade livre e consciente dos cidadãos e a brutalidade de um poder que se sente ameaçado.
-

As-intermitencias-da-morte
Sinopse: Num país sem nome, no primeiro dia do Ano Novo, ninguém morre. Este fato, aparentemente miraculoso, lança a sociedade num profundo turbilhão de consequências práticas, morais e filosóficas. A euforia inicial pela vida eterna rapidamente se desvanece, dando lugar ao caos: hospitais ficam entupidos com doentes terminais que não morrem, lares de idosos tornam-se prisões perpétuas, as agências funerárias e a máfia reinventam-se para lucrar com o “tráfico” de moribundos para países vizinhos onde a morte ainda opera.
A narrativa, contada com a ironia e a profunda reflexão características de Saramago, expõe a hipocrisia e a fragilidade das estruturas sociais, religiosas e políticas perante a rutura da “ordem natural”. A certa altura, a morte (personificada como uma mulher) regressa, mas decide avisar as pessoas por carta, concedendo-lhes uma semana de vida.
O foco da história desloca-se então para o único homem que, por razões misteriosas, recusa morrer, fazendo com que a sua carta fúnebre seja sempre devolvida. Intrigada e desafiada, a morte abandona a sua forma esquelética e assume a aparência de uma mulher sedutora para investigar o violoncelista que teima em viver. O que se segue é uma reflexão poética e comovente sobre a solidão, o amor, a arte e a própria natureza da vida, culminando num final que subverte todas as expectativas.

